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Como calcular o ROI antes de contratar telerradiologia no seu hospital?


Decidir entre manter uma equipe própria de radiologistas plantonistas ou contratar telerradiologia deixou de ser uma questão operacional para se tornar uma decisão financeira sustentada por números.

Para gestores hospitalares e diretores clínicos que já conhecem a telemedicina e avaliam parceiros, a pergunta central é: qual é o ROI da telerradiologia para a minha instituição?

Esse cálculo envolve custos fixos e variáveis, ganhos indiretos e um horizonte de tempo que muda conforme o porte do hospital.

Este artigo apresenta uma metodologia replicável para chegar a esse número, acompanhada de uma simulação numérica completa.


Por que o ROI da telerradiologia não pode ser reduzido ao preço por laudo?


O ROI da telerradiologia mede a relação entre o retorno financeiro e operacional gerado pela terceirização de laudos e o investimento necessário para implementá-la. Ele vai além do valor pago por exame: soma economia na folha de pagamento, redução de glosas, ganhos de produtividade e queda no tempo de permanência hospitalar em casos críticos.

É o que a equipe da Assemed Laudos observa em boa parte das negociações com hospitais e clínicas: ainda é comum que comitês de compras se orientem, inicialmente, apenas por preço do laudo, comparado ao custo aparente da equipe interna.

Essa comparação superficial distorce a decisão e subestima o potencial de retorno da terceirização.

Além disso, a telerradiologia é um ato médico regulador. A Resolução CFM nº 2.107/2014 exige infraestrutura tecnológica apropriada, diretor técnico responsável e rastreabilidade de dados, elementos que precisam entrar na conta como parte do valor entregue, e não apenas como custo de conformidade.


A diferença entre custo unitário e custo total de propriedade


Calcular o custo total da propriedade significa somar tudo o que o hospital gasta para colocar um laudo em circulação, e não apenas o honorário médico.

Esse cuidado é ainda mais relevante em um país onde a distribuição de radiologistas é desigual: o Atlas da Radiologia no Brasil 2025 aponta pouco mais de 20 mil radiologistas certificados, concentrados majoritariamente nas regiões Sul e Sudeste.

Hospitais fora desses eixos pagam um prêmio de escassez para manter quadro próprio, o que eleva o custo total do modelo presencial e amplia a margem de ganho com o diagnóstico por imagem a distância.


Mapeando o custo real do modelo de equipe própria.


Os custos diretos que já aparecem na folha de pagamento


O ponto de partida é o custo direto: salários ou plantões, encargos trabalhistas, benefícios e adicionais noturnos ou de fim de semana.

Segundo dados do CAGED, o salário médio de um médico radiologista em regime CLT é de R$ 8.465 para uma jornada de 22 horas semanais. É importante entender o que esse número representa antes de usá-lo: trata-se de salário base, sem bônus, adicional noturno ou horas extras, apurado sobre uma amostra de profissionais celetistas.

Como a maior parte dos hospitais contrata radiologistas por plantão ou produção, com remuneração superior à média CLT, o valor funciona como piso conservador do cálculo, não como referência de mercado.


Essa é justamente a razão para adotá-lo. Se a conta já fecha no cenário mais barato possível, ela fecha com folga no cenário real.

Somando encargos e benefícios, que adicionam entre 30% e 40% ao custo nominal, chega-se ao custo-hora de cobertura, que é a unidade que interessa para comparar modelos:

Custo mensal por radiologista = R$ 8.465 × 1,35 ? R$ 11.400

Horas contratadas no mês = 22h × 4,33 ? 95h

Custo-hora de cobertura ? R$ 120

Com esse valor, o custo da folha deixa de depender do número de profissionais e passa a depender do que o hospital de fato precisa cobrir:




Os valores não incluem adicional noturno, DSR sobre plantão nem o prêmio de escassez praticado em regiões com menor concentração de especialistas. São, portanto, o menor custo possível de cada regime.


Os custos ocultos que raramente entram na planilha


A maior parte dos erros no cálculo do ROI ocorre nesta etapa. Quatro custos costumam ficar de fora da planilha do modelo atual:

Ociosidade em modelos de custo fixo (em que se paga pelo horário e não pelo volume laudado);

? Cobertura de férias, licenças e ausências, que exige backup ou horas extras;

Rotatividade e recrutamento, especialmente em praças com escassez de especialistas;

? Glosas técnicas geradas por inconsistências documentais no laudo, que impactam diretamente o faturamento junto às operadoras de saúde.

Ignorar esses itens é a principal razão pela qual o retorno sobre o investimento do laudo terceirizado costuma ser subestimado nas primeiras análises.


Retorno sobre investimento laudo terceirizado: o passo a passo do cálculo.


Calcular o retorno sobre investimento no laudo terceirizado exige quatro passos: consolidar o custo total do modelo atual, projetar o custo variável da telerradiologia, somar os ganhos indiretos mensuráveis e aplicar a fórmula do ROI sobre um horizonte de tempo definido.


Passo 1: Consolidar o Custo Total do Modelo Atual (CTA).

CTA = Folha (salários ou plantões + encargos e benefícios) + Custos de infraestrutura fixa (estação de laudo, licenças de software, sala) + Custo médio de rotatividade e recrutamento + Perdas estimadas com glosas por inconsistência documental no laudo.


Passo 2: Projetar o Custo Total do Modelo Terceirizado (CTT).

CTT = (Volume mensal de exames × valor médio negociado por laudo) + Investimento único de implementação amortizado (integração com PACS/RIS, treinamento de equipe, adequação de fluxo).

O valor por laudo varia conforme a modalidade de exame, a complexidade e o SLA contratado, e deve ser sempre solicitado em proposta formal ao fornecedor.


Passo 3: Somar os ganhos indiretos (GI).

Parte do retorno não aparece na comparação direta de custo. Para entrar nesta conta, um ganho precisa ter uma fórmula e um dado que o hospital já possui. Estimativas sem origem definida enfraquecem o resultado inteiro e devem ficar de fora.




Passo 4: Aplicar a fórmula de ROI e o payback.

Com os três blocos consolidados, resta decidir qual indicador levar para a mesa. Cada um responde a uma pergunta diferente e falha em um ponto diferente.



A combinação mais forte para apoiar a decisão é a redução percentual de custo somada ao payback. A primeira valida a economia; a segunda diminui o efeito do risco da transição.

O ROI percentual, apesar de ser o indicador mais citado, não serve para esta decisão. Em uma escolha entre fazer e comprar, o custo recorrente dos dois modelos já entra na comparação, e isolar apenas o investimento de implantação no denominador produz percentuais de três ou quatro dígitos que não medem retorno de coisa alguma.

Quanto menor o custo de implantação, maior o número, ainda que a economia seja idêntica: um hospital que negociar implantação sem custo chegaria a um retorno infinito. A distorção é reconhecível de imediato e costuma comprometer a credibilidade da análise inteira.


Simulação prática de ROI em telerradiologia em um hospital de médio porte.


A simulação a seguir segue uma regra de construção: número onde existe fonte, fórmula onde não existe. O custo do modelo atual é derivável de dados públicos e dos registros do próprio hospital. O custo do modelo terceirizado depende de proposta formal, e nenhum valor de mercado substitui a que a sua instituição vai receber.

O cenário é um hospital de médio porte, com 2.400 exames laudados por mês e radiologia coberta 24 horas por dia, sete dias por semana.



Dividindo esse custo pelo volume mensal, chega-se ao valor acima do qual terceirizar deixa de compensar:

? Preço-teto por laudo = CTA ÷ Volume mensal

? = R$ 95.100 ÷ 2.400

? = R$ 39,63


Esse é o único número que o gestor precisa levar para a mesa de negociação. Dele decorre uma relação que torna imediata a avaliação de qualquer proposta:

A redução percentual do custo da operação é exatamente o quanto a proposta fica abaixo do preço-teto.

Uma proposta 30% abaixo do teto reduz em 30% o custo da operação diagnóstica. Uma proposta acima do teto indica que a estrutura interna, mesmo pagando por disponibilidade ociosa, ainda sai mais barata. Com um único valor vindo da proposta formal, a decisão se resolve.

O passo seguinte é obter essa proposta com o valor por laudo segmentado por modalidade e nível de SLA, para que a comparação seja feita sobre escopos equivalentes. A equipe da Assemed Laudos constrói a proposta a partir do volume e do perfil de exames da instituição. Fale com um especialista e chegue à negociação com o seu preço-teto já calculado.


Erros que distorcem o cálculo de ROI telerradiologia


Cinco erros aparecem com frequência em análises apressadas, e cada um distorce o resultado de forma diferente:

  1. Comparar apenas o preço por laudo com o salário nominal do radiologista: ignorar encargos, benefícios e infraestrutura faz o custo do modelo interno parecer artificialmente baixo.
  2. Desconsiderar o custo de ociosidade: em plantões de baixa demanda, o hospital paga pelo horário do plantonista, independentemente do volume de exames laudados.
  3. Tratar subespecialização como mero detalhe qualitativo: laudos genéricos em áreas complexas (como neurorradiologia, oncologia e ortopedia) geram mais pedidos de complementação, retrabalho e glosas técnicas, corroendo a economia projetada.
  4. Excluir ganhos indiretos do cálculo por dificuldades de medição: a redução da permanência hospitalar e a queda em glosas técnicas acabam ficando de fora da conta, mesmo havendo dados no faturamento do hospital para estimá-las com precisão.
  5. Usar um horizonte de tempo muito curto (1 ou 2 meses): isso captura o custo inicial de implementação, mas não permite que a curva de economia se estabilize.


Além do número: o que avaliar antes de assinar o contrato?


Um ROI bem calculado no papel só se sustenta se o parceiro de telerradiologia entregar qualidade e prazo de forma consistente.

Isso exige avaliar o corpo clínico subespecializado, os protocolos de auditoria interna, o SLA de entrega compatível com a urgência dos exames e a validade jurídica dos laudos conforme a Resolução CFM nº 2.314/2022.

Um laudo entregue fora do prazo ou por um médico sem a devida especialização anula, na prática, boa parte da economia projetada na planilha.

Na Assemed Laudos, o ponto de partida de qualquer proposta comercial é compreender o volume e o perfil de exames do hospital antes de apresentar o valor por laudo. Dessa forma, o valor reflete a realidade operacional da instituição, e não uma média genérica do mercado.

Se você já organizou o fluxo de laudos da sua equipe e quer entender como a terceirização se encaixa na rotina hospitalar, vale a leitura sobre como funciona o telelaudo na prática.

Vale lembrar também que parte da eficiência operacional prometida pelos fornecedores vem de inteligência artificial aplicada à triagem e ao pós-processamento de imagens, tecnologia presente em mais da metade dos hospitais privados brasileiros.


Transforme o ROI da telerradiologia em critério de decisão.


O ROI da telerradiologia deixa de ser uma estimativa genérica quando é construído a partir do custo total do modelo atual, do custo variável da terceirização e dos ganhos indiretos que costumam ficar de fora da planilha.

Aplicando essa metodologia, gestores hospitalares e diretores clínicos apresentam à diretoria financeira um número defensável, com payback e economia líquida mensal claramente demonstrados.

Se você já tem os números do seu hospital e quer validar esse cálculo com uma proposta real, fale com um dos especialistas da Assemed Laudos e leve a decisão da telerradiologia para além da planilha.